Democracia Digital

Digitalização e Esfera pública no Brasil

Consumo de Mídias Digitais no Brasil

Um mapeamento das dietas informacionais e dos usos de plataformas digitais no contexto nacional

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1. Sumário Executivo

Resumo:
A proposta da pesquisa Consumo de Mídias Digitais no Brasil foi mapear os usos que os brasileiros, com acesso à internet, fazem da informação que consomem nas mídias digitais. A partir dos dados de survey realizada entre os dias 10 e 22 de agosto de 2023, o estudo objetiva compreender que dietas informacionais são produzidas por esses usos, que mídias digitais, veículos de imprensa e tipos de conteúdo mais se destacam no contexto nacional e como ocorre a apropriação da informação pelos brasileiros como agentes produtores. O mapeamento revelou que WhatsApp e YouTube estão entre as mídias sociais mais utilizadas e que os assuntos mais consumidos pelos respondentes são política e economia.

Palavras-chave:
Mídias digitais. Consumo de informação. Dieta informacional. Plataformas de redes sociais.

 

Síntese dos resultados:

  • A pesquisa Consumo de Mídias Digitais no Brasil mostrou que as mídias digitais mais acessadas pelos brasileiros diariamente são WhatsApp (81%) e Google (70%).
    Em menor proporção, YouTube (45%), Instagram (36%) e Facebook (27%) foram citados pelos respondentes como mídias que também são acessadas diariamente.
    Mais da metade dos jovens (54%) com idade entre 16 e 24 anos utilizam diariamente o TikTok, enquanto Instagram e YouTube são acessados diariamente por 36% dos respondentes dessa faixa etária.
  • Política, economia e educação são os três assuntos que despertam mais interesse e motivam mais acessos nos ambientes digitais mencionados. As mulheres se destacam entre aqueles que se interessam por política (50,4%) e educação (53%). Já os homens se destacam entre os que se interessam por economia (59%).
  • Quanto à ideologia, verifica-se que a política desperta interesse e acessos igualmente entre participantes de esquerda/centro esquerda (35%) e de direita/centro direita (34%), o mesmo acontece com a educação, cujos entrevistados interessados pelo tema se dividem em 29% de esquerda/ centro esquerda e 28% de direita/ centro direita. Já entre os que se interessam por economia, os eleitores de direita (36%) ganham relevância sobre os de esquerda (27%).
  • Sobre a percepção das nocividades de desinformação, ela é maior entre os entrevistados que se interessam e se mobilizam pelo tema da educação. Entre eles, 63% consideram muito grave a nocividade da desinformação, entre os que se interessam por política e por economia esse número é de 57%. Entre esses últimos, 32% e 33% – respectivamente – relativizam a sua gravidade.
  • Reddit, Twitch, LinkedIn, Telegram, Kwai e Twitter figuraram como as plataformas de redes sociais menos acessadas diariamente pelos respondentes. Contudo, o Twitter aparece como a plataforma mais usada para seguir influenciadores que abordam principalmente assuntos relacionados à política (92,3%); e o LinkedIn é o aplicativo mais utilizado para seguir influenciadores que abordam o tema da educação (60%).
  • Se considerarmos as plataformas de redes sociais mais utilizadas diariamente pelos brasileiros entrevistados – WhatsApp, YouTube, Instagram, Facebook e TikTok – veremos que o consumo de informação por meio delas se diferencia em aspectos pontuais, como o uso do aplicativo para seguir influenciadores, a faixa etária e o grau de interesse por temas pesquisados.
  • Em sua escolha de veículos para consumo de informação, mulheres tendem a optar por canais mais tradicionais de jornalismo, como Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e O Povo. Já os homens são a maior parte do público de veículos de mídia on-line como Terra, Jovem Pan, Brasil247 e O Antagonista.
  • A escolha de veículos de mídia está associada à posição político-ideológica autodeclarada dos indivíduos entre direita e esquerda. Entre aqueles que relataram consumir informações produzidas pelo Brasil247, 71% se identificaram como de esquerda ou centro-esquerda, enquanto apenas 19% se identificaram como de direita ou centro-direita. Por outro lado, as pessoas que se identificaram como de direita ou centro-direita representaram 64% dos que indicaram a Jovem Pan como sua fonte de informações on-line, enquanto apenas 9% do público desse veículo se classificaram como de esquerda ou centro-esquerda.
  • Sessenta e oito por cento dos respondentes do estudo afirmam não seguir assiduamente algum influenciador. Ainda que os participantes da pesquisa possam ser seguidores de influenciadores digitais, a maior parte deles não consome este tipo de conteúdo de maneira regular e frequente.
  • Dos 32% que afirmam seguir de forma assídua influenciadores, 57% são mulheres, mostrando um recorte de gênero na preferência e regularidade de consumo desse tipo de conteúdo. Em termos de faixa etária, é relevante destacar que, entre aqueles que tendem a acompanhar mais os influenciadores, estão respectivamente as pessoas de 25 a 34 anos (27%), 16 a 24 anos (24%) e 35 a 44 anos (23%).
  • Instagram e YouTube lideram entre as plataformas onde há maior consumo assíduo de conteúdos de influenciadores, com respectivamente 47,8% e 46,6% dos respondentes.

 

2. Introdução

Na era da comunicação digital, o consumo de informação vem sendo realizado principalmente através de plataformas digitais. As empresas que fornecem esses serviços constituem infraestruturas digitais que intermediam e conectam diferentes consumidores, produtores, prestadores de serviços em um ecossistema interativo, permitindo a troca de bens, serviços e informações (SRNICEK, 2017). O crescente processo de “penetração de infraestruturas, processos econômicos e estruturas governamentais de plataformas em diferentes setores econômicos e esferas da vida” (POELL; NIEBORG; DIJCK, 2020, p.5) vem sendo chamado de plataformização.

Nesse contexto de plataformização, os usuários são ao mesmo tempo produtores e consumidores de uma vasta diversidade de conteúdos disponíveis nos ambientes digitais em um modelo multidirecional de comunicação em rede. Com isso, as plataformas digitais fomentam uma cultura digital participativa, na qual vários tipos de textos, vídeos e imagens compõem a dieta de mídia dos brasileiros. Nesse paralelo com hábitos alimentares (WIRED, 2009; INTERNETLAB, 2019), a dieta de mídia abarca o que consumimos e como é feito esse consumo on-line. E, como qualquer dieta, a midiática também pode ter impacto a quem a adota a depender da quantidade, qualidade, variedade e periodicidade do que é consumido. No contexto deste relatório, privilegiamos investigar a compreensão sobre as plataformas, os veículos de imprensa e os temas dos conteúdos consumidos e produzidos em mídias digitais.

Se, por um lado, as mídias digitais ampliaram a possibilidade de acesso à informação e democratizaram as formas de produção de conteúdos, por outro, hoje, elas também possibilitam a ampla circulação de conteúdos nocivos, como a desinformação. A desinformação é um fenômeno contemporâneo complexo que, conforme propõe o High level expert group on fake news and online disinformation (EUROPEAN UNION, 2018, p.3), relatório vinculado à Comissão Europeia, envolve “informações falsas, imprecisas ou enganosas elaboradas, apresentadas e promovidas para intencionalmente causar dano público ou gerar lucro”. Em um ecossistema de informação distribuído, a desinformação se torna um elemento indissociável do próprio consumo informacional e da dieta de mídia atual.

Sendo o terceiro país que mais usa redes sociais no mundo, o Brasil é um importante mercado para as dinâmicas de expansão dos negócios ligados às mídias digitais. Mas também um campo fértil para estudarmos as práticas de consumo midiático on-line e como elas impactam as relações sociais e políticas que conformam a sociedade brasileira. Nesse sentido, a pesquisa pergunta: como os brasileiros consomem informações nos ambientes digitais? Quais tipos de conteúdos estão sendo consumidos? Em que plataformas são mais acessados? Que relação esse consumo tem com o posicionamento político dos usuários? Abordar essas questões, no contexto de plataformização da sociedade, é fundamental para compreendermos como os hábitos de consumo de mídia da população brasileira condicionam práticas que contornam a dinâmica democrática contemporânea no país.

Existem diversas pesquisas que fornecem um panorama importante de referência sobre o consumo de informação pela população dentro e fora do Brasil. Sobre o cenário brasileiro, destacam-se a TIC Domicílios, produzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), e o relatório Desigualdades Desinformativas, do Aláfia Lab (SANTOS et. al, 2023), entre outras. No contexto internacional, o relatório Digital News Report produzido anualmente pela Reuters Institute e a pesquisa News Consumption Across Social Media, organizada pelo Pew Research Center. Contudo, há aspectos ainda pouco explorados nessas pesquisas, como informações sobre os principais temas consumidos, o consumo de conteúdos em veículos de imprensa e de influenciadores, e a percepção da população sobre desinformação.

Compreender como os brasileiros consomem informação no ambiente digital foi o objetivo da pesquisa Consumo de Mídias Digitais no Brasil realizada de forma on-line entre os dias 10 e 22 de agosto de 2023. Responderam ao questionário 1.722 pessoas de 16 anos ou mais. O formulário foi estruturado em 13 perguntas sobre o consumo da informação, o uso e a produção de conteúdo e a desinformação, além de perguntas de perfil sociodemográfico.

Perfil da amostra

Entre os respondentes, 50,9% eram mulheres e 49,1% homens. A maioria reside na região Sudeste (41,8%), 28,6% estão no Nordeste, 14,7% na região Sul, 7,8% na região Norte e 7,1% na região Centro-Oeste. Quanto à faixa etária, 23,7% têm entre 45 e 59 anos, 20,7% entre 25 e 34 anos, 14% entre 16 e 24 anos e 20,2% têm 60 anos ou mais. A maior parte dos respondentes da pesquisa (39,7%) possui ensino médio completo ou incompleto, 37,5%, ensino fundamental completo ou incompleto ou sem educação formal e 22,7% têm ensino superior completo ou incompleto. Quanto à renda dos respondentes, 33,2% têm renda familiar mensal de até R$ 2.000, 21,2% entre R$ 2.000 e R$ 3.000, 22,1% entre R$ 3.000 e R$ 5.000, 16% entre R$ 5.000 e R$ 10.000 e 7,6% recebem mensalmente mais de R$ 10.000. Grande parte dos respondentes (45%) se diz católica, 23,4% são evangélicos, 14,1% são crentes sem religião, 12,1% são de outra religião e 5,4% são agnósticos ou ateus.

 

Quadro 1 - Perfil da amostra

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

Metodologia de pesquisa

A pesquisa foi aplicada pela Atlas Intel que possui metodologia própria onde os entrevistados são recrutados aleatoriamente no ambiente digital (Random Digital Recruitment – RDR, na sigla em inglês). Esse método traz vantagens em relação às metodologias tradicionais, como a velocidade de coleta das respostas, a cobertura e a seleção aleatória dos entrevistados. A coleta das respostas é feita por uma interface intuitiva na tela do próprio dispositivo do usuário, e não há nenhuma interação humana com o entrevistador. As respostas são ponderadas por variáveis representativas de acordo com o perfil da população brasileira, como gênero, idade, IDH do município, religião, estrutura familiar, entre outras, e de variáveis de controle (hábitos) baseadas em critérios estatísticos. As não respostas passam por tratamento metodológico de acordo com subgrupo demográfico.

3. Parte I - Hábitos de Consumo

1) A dieta de consumo de mídia dos brasileiros

As mídias digitais estão presentes na vida da maior parte da população brasileira para diferentes usos e finalidades, seja para se comunicar com pessoas, empresas, governos, para buscar e consumir informações, para realizar compras ou para lazer, entre outros. A pesquisa Consumo de Mídias Digitais no Brasil mostrou que as mídias digitais mais acessadas pelos brasileiros diariamente são WhatsApp (81%) e Google (70%). Em menor proporção, YouTube (45%), Instagram (36%) e Facebook (27%) foram citados pelos respondentes como mídias que também são acessadas diariamente. Entre as menos acessadas diariamente, estão Spotify (12%), Twitter (10%) e Telegram (6%). LinkedIn (3%), Twitch (2%) e Reddit (1%) foram as que receberam o menor percentual de respostas dos participantes da pesquisa. Cabe destacar que a menor frequência de acesso diário a determinadas plataformas tem a ver com as finalidades de uso dessas plataformas, como LinkedIn e Telegram, nesses casos, os dados mostram que é mais comum que as pessoas utilizem “uma vez ou outra” ou “algumas vezes” na semana do que diariamente.

Gráfico 1 - Acesso às mídias digitais, por frequência semanal

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

A pesquisa mostrou que os hábitos de consumo de mídias digitais dos brasileiros variam bastante de acordo com idade, gênero, escolaridade e religião, sendo possível identificar determinados padrões de comportamento e de consumo de conteúdo pelo tipo de mídia digital mais utilizada. O principal resultado dessa seção mostrou que Google e WhatsApp foram apontados como as mídias mais utilizadas diariamente pelos respondentes independentemente da faixa de idade, do sexo, da escolaridade e da religião dos respondentes.

 

1.1 Por idade

Mais da metade dos jovens (54%) com idade entre 16 e 24 anos utilizam diariamente o TikTok, enquanto Instagram e YouTube são acessados diariamente por 36% dos respondentes dessa faixa etária. Uma parcela menor de jovens afirmou acessar diariamente Twitter (14%), Telegram (8%) e Facebook (8%). Já as mídias menos acessadas por esse grupo são Kwai (3%), Twitch (2%), Reddit (1%) e Linkedin (1%).

Entre o grupo com idade de 25 a 34 anos, 54% utilizam o Instagram e 52% acessam o YouTube diariamente. Foi nesse perfil de idade que as duas plataformas receberam o maior percentual de respostas de acesso diário. Por fim, TikTok e Facebook receberam 22% das respostas desse grupo.

O perfil de consumo de mídias digitais dos respondentes com idade entre 35 e 44 anos e 45 e 59 anos se revelou bastante semelhante. Os respondentes citaram YouTube (51%), Instagram (35%) e Facebook (34%) como as mídias que mais acessam diariamente, além de Google (74%) e WhatsApp (86%). Spotify (4%) e Twitter (9%) foram citadas em menor proporção, junto com TikTok (10%) e Kwai (4%).

Para os com idade acima de 60 anos, YouTube (35%) e Facebook (31%) são, respectivamente, a terceira e a quarta mídias mais acessadas diariamente. O Instagram foi citado por apenas 22% dos respondentes, enquanto TikTok apareceu em 10% das respostas, sendo que esses foram o menor percentual de respostas recebidas por essas duas plataformas em comparação a outros perfis etários.

1.2 Por gênero

Na análise dos hábitos de consumo por gênero, a diferença mais expressiva é que homens acessam diariamente mais YouTube (52%) e Facebook (39%) do que as mulheres, com percentuais de 39% e 26%, respectivamente para essas mídias. Por outro lado, quase metade das mulheres (49%) usa o Instagram todos os dias, enquanto apenas 22% dos homens o fazem. As demais plataformas não apresentaram diferenças significativas de consumo de acordo com o gênero.
1.3 Por escolaridade

Quanto à escolaridade, o consumo diário de YouTube e Facebook foi bastante semelhante nos três perfis analisados: ensino fundamental, médio e superior. Em média, YouTube recebeu 46% e Facebook 27% das respostas, independentemente da escolaridade. Outro destaque é que na parcela dos respondentes com ensino superior, TikTok recebeu apenas 10% das respostas, o menor percentual entre os três níveis de escolaridade. Instagram é a plataforma que recebeu o menor percentual de respostas (22%) entre os que possuem ensino fundamental quando comparado com as respostas dos demais perfis de escolaridade analisados (45%).

 

1.4 Por religião

O consumo de mídias digitais segundo o perfil religioso dos respondentes é bastante variável. WhatsApp é a plataforma com maior percentual de respostas de acessos diários em todos os perfis religiosos investigados, variando entre 79% e 89%. YouTube é a terceira mídia digital mais acessada entre todas as religiões, sendo o acesso maior entre agnósticos ou ateus (61%) e crentes sem religião (57%), moderado por evangélicos (47%) e menor entre os católicos (40%) e outras religiões (41%). O Google é a plataforma mais acessada diariamente por agnósticos ou ateus (92%), crentes sem religião (83%) e outras religiões (75%) e menos acessada por evangélicos (68%) e católicos (63%). O Instagram é mais acessado por agnósticos ou ateus (56%) do que por demais perfis de religião, com percentuais que variam entre 24% e 38%. Já o Facebook recebeu mais respostas entre aqueles de outras religiões (38%) e menos respostas entre agnósticos ou ateus (16%). O Spotify é mais acessado entre os de outras religiões (24%) e agnósticos ou ateus (22%). O Twitter apresentou o maior percentual de respostas de acesso diário entre aqueles que se dizem crentes e sem religião (22%) e os agnósticos ou ateus (21%). Por fim, o TikTok recebeu o menor percentual de respostas (6%) entre os respondentes crentes sem religião.

2) Conteúdos mais acessados

Dentre os temas mais acessados pelos respondentes, estão política, economia e educação.

 

2.1 Política

2.1.1 Por sexo

Chama a atenção que a maioria dos acessos seja feito por mulheres. Estudos sobre comportamentos das mulheres na política historicamente apontam para uma participação mais reduzida delas em comparação com a dos homens (Miguel e Biroli, 2013; Sanchez, 2015). Entres as causas para tal atitude, a literatura menciona fatores institucionais (as instituições políticas ainda seriam pouco inclusivas), padrões culturais e de socialização que associam a política a um espaço masculino, e constrangimentos estruturais como a divisão sexual do trabalho que destina às mulheres os afazeres domésticos e a socialização das crianças, diminuindo o tempo livre para a participação política .

A divisão entre o espaço público – de domínio predominantemente masculino – e o espaço privado – de domínio predominantemente feminino – é recorrente no debate sobre as razões das diferenças de sexo para a participação na esfera política. As redes sociais possibilitaram a expansão do espaço privado para o espaço público das mulheres. Sem se ausentar da casa, local da tarefa doméstica e da socialização das crianças, são capazes de participar de debate público.

Gráfico 2 - Acesso ao tema política, por sexo

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.1.2 Por idade

Quanto à distribuição por idade, entre os entrevistados que disseram acessar o tema da política, verifica-se que 16% deles têm de 16 a 24 anos, o mesmo percentual é verificado no grupo de 25 a 34 anos. No segmento de 35 a 44 anos, eles somam 22%, e entre os entrevistados de 45 a 59 anos chegam a 26%. Os 22% restantes se encontram entre os com mais de 60 anos.

Devemos registrar que a distribuição segue a mesma curva da distribuição do eleitorado com pequenas variações, denotando que a idade não é um componente que altere o interesse pelo acesso à política. De acordo com o TSE, o eleitorado brasileiro, em agosto de 2023, se dividia assim por idade: 13% de 16 a 24 anos, 20% de 25 a 34 anos, 21% de 35 a 44; 25% de 45 a 59 anos e 21% acima de 60 anos.

Gráfico 3 - Acesso ao tema política, por idade

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.1.3 Por ideologia

Quanto à ideologia, verifica-se que a audiência da política nas redes sociais está equilibrada entre os segmentos de direita (29%) e centro direita (5%) com os segmentos de esquerda (25%) e centro esquerda (10%). São 34% no eixo centro direita/ direita e 35% no eixo centro esquerda/ esquerda. Apenas 6% se apresentam como integralmente de centro e 24% disseram que não têm ideologia ou não sabem dizer.

Gráfico 4 - Acesso ao tema política, por ideologia

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.1.4 Sobre a percepção da nocividade da desinformação

Entre as pessoas que acessam o tema da política nas redes sociais, 57% delas dizem acreditar que a nocividade da desinformação seja “muito grave” para a democracia, que se somam a 11% que manifestam avaliar que ela seja “grave”. Já 29% dos entrevistados relativizam a nocividade da desinformação, definindo-a como “não tão grave” (12%) e “não é uma ameaça” (17%).

Os números demonstram um limite para alguns instrumentos de combate à desinformação. Hoje se fala de três principais instrumentos de combate, sendo eles: a) a regulamentação do uso da internet; b) as ações de checagem de informações; e c) as estratégias de inoculação como alfabetização para o uso das redes sociais (Batista et al., 2023). Esses números mostram que aproximadamente um em cada três usuários que acessam a política na internet não veem gravidade significativa na desinformação. Pode-se esperar que muitos compartilhem a desinformação – ciosos de sua verdade sobre os fatos – para que possam pertencer a um grupo, porque ela reproduz o que eles pensam ou comunicam o que eles desejam, e que isso não é visto como tão nocivo para a democracia.

Gráfico 5 - Acesso ao tema política, por nocividade da desinformação

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.2 Economia

2.2.1 Por sexo e por idade

O acesso de conteúdo relacionado à temática da economia é feito majoritariamente por homens (59%). Quanto à idade, verificamos que os jovens de 16 a 24 anos respondem por 13% dos acessos ao tema da economia nas redes sociais; aqueles de 25 a 34 anos somam 16%; já entre os com idade de 35 a 44 anos registra-se 21%, mesmo percentual dos que têm mais de 60 anos; a maior concentração se dá entre os com 45 a 59 (28%); por fim. Assim como aconteceu com a análise da audiência digital de conteúdos políticos, aqui também deve-se registrar que a distribuição dos que consomem informações sobre a economia segue o padrão da curva da distribuição do eleitorado com pequenas variações.

Gráfico 6 - Acesso ao tema economia, por idade

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.2.2 Por ideologia

No que tange à distribuição ideológica, as pessoas que consomem conteúdos de economia se declararam prioritariamente de direita (29%) ou informaram não saber ou ter uma identidade ideológica definida (26%).

Registra-se um descompasso entre o consumo de conteúdo de economia na esquerda e centro-esquerda, que somam 27% de audiência, e na direita e centro-direita, que somam 37%.

 

 

Gráfico 7 - Acesso ao tema economia, por ideologia

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.2.3 Sobre a percepção da nocividade da desinformação

Entre as pessoas que acessam sobre economia, 57% acreditam ser muito grave para a democracia o compartilhamento de desinformação, que somam a 10% que o consideram grave. Por sua vez, 33% tendem a não dar muita relevância ao tema.

Gráfico 8 - Acesso ao tema economia, por nocividade da desinformação

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.3 Educação

2.3.1 Por sexo e por idade

As mulheres são as que mais acessam o conteúdo sobre educação, correspondendo a 53% da audiência digital a esse tema. Em comparação com o consumo de conteúdo de política e de economia, verifica-se que o consumo do tema da educação atrai um público mais jovem, concentrando um pouco mais nos segmentos com menor idade.

Gráfico 9 - Acesso ao tema educação, por idade

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.3.2 Por ideologia

Verifica-se que as pessoas que consomem conteúdo de educação tendem a manifestar que não possuem ideologia ou que não sabem dizer qual é a sua ideologia (38%), seguidas daquelas que se dizem de direita (23%) e daquelas de esquerda (19%).

Gráfico 10 - Acesso ao tema educação, por ideologia

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.3.3 Sobre a percepção da nocividade da desinformação

Entre as pessoas que consomem conteúdo de educação verifica-se uma percepção um pouco mais acentuada do que a média quanto à nocividade da desinformação. Se entre os consumidores de conteúdo de política e de economia os números quanto àqueles que flexibilizam a gravidade da nocividade da informação somam 29% e 30%, respectivamente, entre os consumidores de conteúdo de educação esse número cai para 26%.

Gráfico 11 - Acesso ao tema educação, por nocividade da desinformação

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.4 Checagem de informações

2.4.1 Por sexo

Quando perguntado sobre o hábito de checar informações antes de compartilhar nas redes sociais, os homens formam maioria somente na opção “apenas às vezes, quando desconfio”, com 55%. A checagem “sempre” e a “não” checagem são atitudes majoritariamente das mulheres.

Gráfico 12 - Checagem de informação, por sexo

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.4.2 Por idade

Os consumidores de 16 a 24 são os que menos checam informações. Os grupos de idade que mais checam informações são aqueles compostos por pessoas de 35 a 44 anos e de 45 a 59 anos. Os com 60 anos ou mais checam mais do que os jovens, mas aquém dos demais grupos.

Gráfico 13 - Checagem de informação, por idade

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

2.4.3 Sobre a percepção da nocividade da desinformação

Entre os que sempre checam as informações compartilhadas, 69% manifestam acreditar que a desinformação em redes sociais é muito grave para democracia. Já entre os que dizem não checar as informações compartilhadas, este número é reduzido a 37%. Aumenta consideravelmente o número de pessoas que dizem não saber se a desinformação é nociva (26%).

Gráfico 14 - Checagem de informação, por percepção de nocividade da desinformação

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

4. Parte II - O ecossistema digital

3) O perfil de uso das redes sociais

As práticas de consumo de informação no ambiente digital pela população brasileira registradas na pesquisa evidenciaram alguns aspectos quanto ao uso de mídias sociais específicas. Por exemplo: embora o WhatsApp seja a mídia social mais utilizada diariamente pelos entrevistados, quando se trata de seu uso para seguir um influenciador digital, o aplicativo de mensagens instantâneas cai para sexta posição e deixa a primeira para o Instagram.

Reddit, Twitch, LinkedIn, Telegram, Kwai e Twitter figuraram como as plataformas de redes sociais menos acessadas diariamente pelos respondentes. Contudo, o Twitter aparece como a plataforma mais usada para seguir influenciadores que abordam principalmente assuntos relacionados à política (92,3%); o Telegram tem a mesma posição em relação à economia (77%); e o LinkedIn é o aplicativo mais utilizado para seguir influenciadores que abordam o tema da educação (60%).

Se considerarmos as plataformas de redes sociais mais utilizadas diariamente pelos brasileiros entrevistados – WhatsApp, YouTube, Instagram, Facebook e TikTok – veremos que o consumo de informação por meio delas se diferencia em aspectos pontuais, como o uso do aplicativo para seguir influenciadores, a faixa etária e o grau de interesse por temas pesquisados. Nesse ponto, por exemplo, o tema de interesse games foi o mais consumido pelos respondentes que utilizaram, no período analisado, o WhatsApp (100%), o YouTube (98,4%) e o TikTok (73,4%). Entretanto, foi o que menos apareceu entre os que acessaram o Facebook (54,3%). Moda e beleza foi o único tema que figurou entre os quatro tipos de assuntos de interesse mais mencionados pelos usuários das cinco plataformas acima listadas. Já esporte e alimentação e culinária só estiveram entre os quatro temas principais na lista do Facebook; e espiritualidade e religiosidade foi o quarto assunto que mais apareceu nos acessos ao YouTube.

Seguem outros destaques da análise por plataforma.

 

3.1 TikTok

Embora o TikTok não figure na pesquisa como uma mídia de grande acesso pelos brasileiros, os números indicaram um índice alto de uso diário na faixa etária de 16 a 24 anos (53,9%), se comparado, por exemplo, ao de homens (19,1%) e mulheres (21,2%) entre 35 e 44 anos (10,9%). Dentre os respondentes que seguem algum influenciador, 12,1% o fazem no TikTok, o que o coloca como a quarta plataforma mais utilizada para esse fim.

De acordo com o cruzamento de dados entre a frequência de acesso e os temas de interesse, o estudo mostrou que os usuários que acessaram o aplicativo, ao menos uma vez, no período analisado, demonstraram maior interesse por games, moda e beleza, arte e cultura e trabalho e carreira. A música (61,5%) foi o tipo de conteúdo mais compartilhado pelos usuários do aplicativo. Contudo, mais da metade dos respondentes também compartilhou pelo TikTok informações de utilidade pública (56,6%), notícias (55%), conteúdo motivacional (54,7%), material de divulgação do seu trabalho (54,6%) e memes (54,5%). Questionados sobre o grau de nocividade da desinformação em conteúdos que circulam na internet, dos que afirmam não achar a desinformação tão grave, 32% usam o TikTok diariamente.

 

Gráfico 15 - Temas de interesse por acesso ao TikTok

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

Gráfico 16 - Compartilhamento de conteúdo por acesso ao TikTok

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

Gráfico 17 - Nocividade da desinformação por acesso ao TikTok

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

3.2 Instagram

O Instagram é a quarta rede social on-line mais acessada diariamente pelos entrevistados, com predominância de usuárias (49,4%), representando mais do que o dobro dos usuários (22,6%). Além de ser a plataforma mais populada por mulheres, é também o principal destino para quem segue um produtor de conteúdo específico, 48,1% dos respondentes que seguem algum influenciador o fazem por meio do Instagram. Os usuários do aplicativo o utilizam para acessar um escopo amplo de temas, mas principalmente moda e beleza (94,1%), arte e cultura (87,1%), trabalho e carreira (86,4%) e games (84,3%). O tipo de conteúdo mais compartilhado por quem acessou a plataforma foi produto cultural (88,2%), seguido de memes (85,4%), divulgação do seu trabalho (84,4%) e conteúdo motivacional (83,5%). Sobre a circulação de desinformação, 41% dos que consideram esse fenômeno muito grave são usuários do Instagram.

Gráfico 18 - Temas de interesse por acesso ao Instagram

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

Gráfico 19 - Compartilhamento de conteúdo por acesso ao Instagram

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

Gráfico 20 - Nocividade da desinformação, por acesso ao Instagram

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

3.3 Facebook

O Facebook é, ao mesmo tempo, a quinta plataforma mais utilizada diariamente pelos entrevistados e a quarta menos utilizada por aqueles que têm entre 16 e 24 anos (8,1%). No cômputo geral, é a terceira mais acessada por quem segue algum influenciador (19,9%). É o segundo destino mais utilizado pelos usuários que seguem algum criador de conteúdo que aborda alimentação e culinária (26,7%), ficando atrás apenas do WhatsApp (27,4%), nesse tema de interesse. Assim como as demais plataformas, o Facebook é utilizado pelos entrevistados para consumir todos os assuntos sinalizados na pesquisa. Todavia se destacam os temas moda e beleza (81,4%), trabalho e carreira (76,4%), alimentação e culinária (73%) e esporte (72,4%). Dentre os usuários que marcaram a opção “Não é uma ameaça” sobre a circulação de desinformação no ambiente digital, 35% se declaram usuários diários do Facebook.

Gráfico 21 - Temas de interesse por acesso ao Facebook

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

Gráfico 22 - Compartilhamento de conteúdo por acesso ao Facebook

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

Gráfico 23 - Nocividade da desinformação por acesso ao Facebook

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

3.4 YouTube

O YouTube é a terceira mídia mais acessada diariamente pelos brasileiros, sobretudo homens (52,4%) e pessoas adultas de 35 a 44 anos (56,1%). O uso cai consideravelmente entre os jovens de 16 a 24 anos (36,1%). A plataforma de vídeos desponta como um acervo de pesquisa audiovisual, sendo utilizada para os usuários acessarem sobretudo conteúdos de games (98,4%), arte e cultura (96,9%), moda e beleza (96,8%) e espiritualidade e religiosidade (95,2%). Sobre o compartilhamento de conteúdo por usuários da plataforma, o estudo destacou conteúdo motivacional (97,4%), utilidade pública (96,1%), música (95,8%) e memes (94,9%). Dos que consideram que a circulação da desinformação “Não é uma ameaça”, 53% acessam o YouTube diariamente.

Gráfico 24 - Nocividade da desinformação por acesso ao YouTube

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

3.5 WhatsApp

O aplicativo de mensagens espontâneas da Meta é a mídia mais utilizada diariamente pelos brasileiros entrevistados. Seu alto índice de uso diário para acessar informação só cai entre aqueles que estão na faixa etária de 16 a 24 anos (55,1%), empresários (50,1%) e moradores da região Norte (45,4%). O WhatsApp também não costuma ser utilizado para a prática de seguir influenciadores, apenas 9,3% afirmaram usar a plataforma para acompanhar criadores de conteúdo específicos. Quanto aos interesses dos usuários, o WhatsApp não tem um destaque específico considerando que todos os assuntos pesquisados foram vistos pelos que acessam a plataforma em praticamente 100% dos casos. O fenômeno se repete no caso do tipo de conteúdo mais compartilhado, uma vez que todos os formatos pesquisados foram compartilhados praticamente pela totalidade de quem usa o aplicativo. Dentre os que consideram que a circulação da desinformação “Não é tão grave”, 81% acessam o WhatsApp diariamente.

Gráfico 25 - Nocividade da desinformação por acesso ao WhatsApp

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

4) O perfil de consumo de veículos de mídia

 4.1 Veículos de mídia mais acessados on-line

O estudo também analisou a composição da dieta informacional dos entrevistados considerando os veículos de mídia. Os dados revelam que o Portal G1 (41%), a Jovem Pan (36%) e a CNN Brasil (26%) estão entre os veículos de comunicação mais acessados pelos participantes da pesquisa. Em uma posição intermediária estão O Globo (19%), Folha de S. Paulo (17%) e R7 (14%). Outros veículos de mídia foram relatados como fontes de informação em ambientes digitais por menos de 10% dos entrevistados. Esse grupo inclui Estadão, Brasil247, Correio Braziliense, Terra, O Antagonista, O Povo, Zero Hora e O Liberal.

 

Gráfico 26 - Veículos de mídia mais acessados on-line

Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

. Fonte: Atlas | Elaboração: FGV ECMI

4.2 Veículos de imprensa mais acessados on-line, por sexo

As escolhas dos veículos de mídia on-line para consumo de informação variam de acordo com o gênero da pessoa entrevistada. Veículos como Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e O Povo figuram entre aqueles mais indicados pelas mulheres como canais de consumo de informação on-line. Já para o público masculino a maioria indicou maior consumo de notícias e demais conteúdos produzidos por veículos como Terra, Jovem Pan e O Liberal. A distribuição entre homens e mulheres foi mais equilibrada para veículos como O Globo, Estadão, CNN Brasil, G1, R7 e Zero Hora.

 

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5) O mundo dos influenciadores digitais

Atualmente, os influenciadores digitais possuem um papel estratégico na produção e no consumo de informações em plataformas digitais. Nas mídias digitais, há diferentes tipos de perfis de influenciadores digitais e produtores de conteúdo. No Brasil, estima-se que existam cerca de 20 milhões de criadores de conteúdo (YOUPIX, 2023). Esses influenciadores trabalham em diferentes plataformas e produzem conteúdos sobre temas variados.

Embora pesquisas sobre o marketing de influência apontem o crescimento da relevância dos produtores de conteúdo no ecossistema informacional (YOUPIX; NIELSEN, 2023), chama atenção que 68% dos respondentes do estudo afirmem não seguir assiduamente algum influenciador. Ainda que os participantes da pesquisa possam ser seguidores de influenciadores digitais, a maior parte deles não consome este tipo de conteúdo de maneira regular e frequente. Além disso, aqueles que afirmam seguir assiduamente perfis de influenciadores mostram um interesse maior de mulheres e jovens por este tipo de conteúdo.

Dos 32% que afirmam seguir de forma assídua influenciadores, 57% são mulheres, mostrando um recorte de gênero na preferência e regularidade de consumo desse tipo de conteúdo. Em parte, este número reflete o próprio perfil dos influenciadores que, segundo outros estudos, são em sua maioria mulheres (YOUPIX, 2022). Já entre aqueles que afirmam não seguir influenciadores regularmente (68%), a maioria é homem (72%).

Em termos de faixa etária, é relevante destacar que, entre aqueles que tendem a acompanhar mais os influenciadores, estão respectivamente as pessoas de 25 a 34 anos (27%), 16 a 24 anos (24%) e 35 a 44 anos (23%). A proporção de respostas positivas cai significativamente entre aqueles maiores de 45 anos. Isso nos sugere que o interesse pelo consumo de conteúdos produzidos pelos influenciadores tende a ser maior entre as gerações mais jovens, como os millennials e a geração Z.

Instagram e YouTube lideram entre as plataformas onde há maior consumo assíduo de conteúdos de influenciadores, com respectivamente 47,8% e 46,6% dos respondentes. Chama atenção, ainda, como a política é considerada o maior tema de interesse nos conteúdos abordados pelos influenciadores, liderando com 50,9% das respostas daqueles que seguem esses perfis frequentemente. Em seguida, estão temas como economia (24%), educação (20,3%) e espiritualidade e religiosidade (18,2%). Em parte, esse interesse temático maior reflete o contexto político do país no período da realização da pesquisa, logo após um ano de eleições presidenciais extremamente polarizado (RUEDIGER; GRASSI, 2023).
Nota-se também que o perfil ideológico daqueles que afirmam seguir assiduamente influenciadores é, em sua maioria, de direita (32%) ou sem saber ou possuir posição ideológica (27%). Aqueles que se dizem de esquerda e centro-esquerda constituem respectivamente 24% e 13% dos respondentes interessados no conteúdo dos influenciadores.

 

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5. Conclusão

Essa pesquisa teve como objetivo avaliar o consumo de mídia da população brasileira. A partir dela, é possível ter uma visão panorâmica sobre aspectos importantes dos hábitos e dos perfis dos consumidores em mídias digitais. É possível ainda identificar padrões de comportamentos de consumo on-line com relação ao compartilhamento de desinformação e a percepção de nocividade da desinformação.

O acesso às mídias digitais e às redes sociais on-line são uma realidade no cotidiano dos brasileiros, que acessam diariamente esses ambientes, com destaque para o WhatsApp e o Google. O TikTok, embora não seja acessado de modo amplo pela população pesquisada, se mostrou o aplicativo mais utilizado diariamente pelos mais jovens. Já o Instagram, além de ser a plataforma mais utilizada para seguir um criador de conteúdo, é a mais utilizada por mulheres. O Twitter se destaca para quem busca influenciadores que abordam política; e o LinkedIn dos que abordam educação.

Não passa despercebido que 29% da população que acessa o tema da política em redes sociais relativiza a nocividade da desinformação, considerando-a “não tão grave” (12%) ou “não é uma ameaça” (17%). O número aponta para o desafio e ao mesmo tempo para a limitação da estratégia de checagem de informações no combate ao fenômeno de desinformação. Os entrevistados que não veem gravidade tendem mais a compartilhar desinformação.

Deste modo, foi possível observar as diferenças entre os públicos que utilizam as diversas plataformas de maneira assídua, de acordo com o perfil sociodemográfico, o interesse temático, o consumo de notícias em veículos de imprensa e o consumo de conteúdos produzidos por influenciadores. Com a centralidade da comunicação digital cada vez maior, compreender os hábitos de uso e fluxos informacionais nas mídias digitais é também compreender as transformações sociais e políticas das nossas sociedades.

6. Expediente

Coordenação de pesquisa
Marco Aurelio Ruediger
Amaro Grassi

Pesquisadores
Anna Bentes
Beatriz Pinheiro
Denisson Santos
Eurico Matos
Luciana Veiga
Renata Tomaz

Revisão técnica
Renata Tomaz

Projeto gráfico
Daniel Almada
Luis Gomes

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